25/01/2010






Aquilo que de verdadeiramente significativo podemos dar a alguém é o que nunca demos a outra pessoa, porque nasceu e se inventou por obra do afecto. O gesto mais amoroso deixa de o ser se, mesmo bem sentido, representa a repetição de incontáveis gestos anteriores numa situação semelhante. O amor é a invenção de tudo, uma originalidade inesgotável. Fundamentalmente, uma inocência.


Fernando Namora, in 'Jornal sem Data'

03/01/2010

Maquina do tempo






O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.

Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.

Espaço vazio, em suma.

O resto, é a matéria.



Daí, que este arrepio,

este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,

esta fresta de nada aberta no vazio,

deve ser um intervalo.



                    António Gedeão 

17/12/2009

Feliz Natal




05/12/2009

Amor Perfeito


23/11/2009


Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.


Eugenio de Andrade

21/11/2009

Pretextos para fugir do real




A uma luz perigosa como água

De sonho e assalto

Subindo ao teu corpo real

Recordo-te.

E és a mesma

Ternura quase impossível

De suportar

Por isso fecho os olhos

(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da

provocação. É assim que te faço arder triunfalmente

onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)

Por isso fecho os olhos

E convido a noite para a minha cama

Convido-a a tornar-se tocante

Familiar concreta

Como um corpo decifrado de mulher

E sob a forma desejada

A noite deita-se comigo

E é a tua ausência

Nua nos meus braços


Alexandre o'Neill

07/11/2009

Burnout





"Apercebi-me, ao longo do meu exercício diário, que por vezes as pessoas são vítimas de incêndio tal como os edifícios; sujeitas ao efeito da tensão produzida pelo nosso mundo complexo, os seus recursos internos consomem-se, como por acção das chamas, não deixando senão um imenso vazio interior, ainda que o invólucro exterior pareça mais ou menos intacto."

Herbert Freudenberger