18/12/2008

Feliz Natal


Deixo aqui as prendas do costume,


embrulhadas em papel de amor, com os

votos de um pouco de magia nas nossas

vidas e um sorriso para o ano inteiro


12/12/2008

Falavam-me de Amor...



Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

(Natália Correia, in O Dilúvio e a Pomba)





19/10/2008

Incenso


O incenso é uma resina gomosa que cai em forma de gotas da árvore Boswellia Carteri, na India e na África.

Durante o tempo de calor e seca (nos meses de Fevereiro e Março) são feitas incisões sobre o tronco e ramos, dos quais brota continuamente a resina, que se vai solidificando lentamente ao ar.

O incenso é usado desde sempre com o sentido de purificação, aromatização e proteção.

Nas cerimónias religiosas solenes de vários cultos é usado com a mesma intenção de aproximar o terreno com o divino.

Mas uma análise recente, realizada pela ProTeste, em diferentes marcas de incenso comercializadas no Brasil, detectou a presença de substâncias tóxicas no fumo emitido pela queima de incenso.

Foram encontrados poluentes e compostos orgânicos voláteis e substâncias passíveis de causar alergias, como o benzeno e o formol. As concentrações foram medidas meia hora após o acendimento.

E um dado surpreendente: queimando um pauzinho de incenso todos os dias, a pessoa inala a mesma quantidade de benzeno - substância cancerígena - contida em três cigarros.



16/10/2008


" A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas.
O pudor vale para a sensibilidade como o obstáculo para a energia."


Fernando Pessoa In "Livro do Desassossego"

11/10/2008

Vindimas

"Não falta quem garanta ser o ritual das vindimas um momento mágico, feito de mãos que recolhem cachos de bagos maduros como se pegassem em pássaros feridos; de cestos de vime levados às costas como iniciados que assim fossem para ser presentes numa cerimónia pagã; de pés que, abençoados por invisíveis deuses, se empenhassem na tarefa de calcar o mosto para acordar a vida secreta que as uvas contêm; de uma poderosa alquimia que transforma a seiva dos frutos tenros em espirituoso néctar..."

27/09/2008

A brincar à Andy Warhol :)))


A alegria é a nossa evasão do tempo

(Simone Weil)

26/09/2008

Café Majestic

Este é um video promocional do Café Majestic.
video
Passei por lá a tomar café e a tertuliar...
Está-se bem...

07/09/2008

Bom Apetite...

Comecem de baixo para cima

Acompanhem com o vinho da nnannarella
A alegria dos amigos que se juntam á volta da mesa...
Escolham o sabor e acompanhem com todos os molhos...
E terminem com o saboroso café da Vanda.



24/08/2008

Pentagrama



A humanidade sempre teve ao seu redor um mundo de forças e energias ocultas que muitas vezes não conseguia compreender nem identificar.
Assim sendo, procurou ao longo dos tempos, protecção desses perigos ou riscos que faziam parte do seu medo do desconhecido, surgindo aos poucos objectos / amuletos nas tradições de cada povo.

O pentagrama está entre os principais e mais conhecidos símbolos, pois possui diversas representações e significados, que foram evoluindo ao longo da história.

Num dos mais antigos significados do pentagrama, os Hebreus designavam-no como a Verdade, para os cinco livros do Pentateuco (os cinco livros do Velho Testamento, atribuídos a Moisés).
Na Grécia Antiga, era conhecido como Pentalpha, geométricamente composto de cinco As.

O pentagrama também é encontrado na cultura chinesa representando o ciclo da destruição, que é a base filosófica de sua medicina tradicional.
Neste caso, cada extremidade do pentagrama simboliza um elemento específico: Terra, Água, Fogo, Madeira e Metal.
Cada elemento é gerado por outro, (a Madeira é gerada pela Terra), o que dará origem a um ciclo de geração ou criação. Para que exista equilíbrio é necessário um elemento inibidor, que neste caso é o oposto (a Água inibe o Fogo).

A geometria do pentagrama e as suas associações metafísicas foram exploradas por Pitágoras e posteriormente pelos seus seguidores, que o consideravam um emblema de perfeição.
A geometria do pentagrama ficou conhecida como A Proporção Divina, que ao longo da arte pós-helénica, pôde ser observada nos projectos de alguns templos.

Era um símbolo divino para os druidas. Para os celtas, representava a deusa Morrighan (deusa ligada ao Amor e à Guerra).
Para os egípcios, era o útero da Terra, mantendo uma relação simbólica com as pirâmides.

Os primeiros cristãos tinham o pentagrama como um símbolo das cinco chagas de Cristo. Desse modo, visto como uma representação do misticismo religioso e do trabalho do Criador. Também era usado como símbolo da comemoração anual da visita dos três Reis Magos ao menino Jesus.
Ainda, em tempos medievais era usado como amuleto de proteção contra demônios.

Os Templários, uma ordem de monges formada durante as Cruzadas também usaram a simbologia do Pentagrama.
Na localização do centro da Ordem dos Templários, ao redor de Rennes du Chatres, na França, é notável observar um pentagrama natural, quase perfeito, formado pelas montanhas que medem vários quilometros ao redor do centro. Ainda é possível perceber, a profunda influência do símbolo, em algumas Igrejas Templárias em Portugal, que possuem vitrais em forma de Pentagramas.

No entanto, Os Templários foram dizimados pela mesquinhez da Igreja e pelo fanatismo religioso de Luis IX, em 1303.
Iniciou-se assim a Idade das Trevas, onde se queimava, torturava e excomungava qualquer um que se opusesse à Igreja.
Durante esse longo tempo da Inquisição, a igreja mergulhou no próprio diabolismo ao qual se opunha.
Nessa época o pentagrama simbolizou a cabeça de um bode ou do diabo, na forma de Baphomet, o mesmo que a Igreja acusou os Templários de adorar.
A perseguição da Igreja levou as religiões antigas à clandestinidade.

No fim da era das Trevas, as chamadas sociedades secretas começaram novamente a realizar os seus estudos sem o medo paranóico das punições da Igreja.

O pentagrama agora, significa o Microcosmo, símbolo do Homem de Pitágoras representado através de braços e pernas abertas, parecendo estar disposto em cinco partes em forma de cruz (O Homem Individual). A mesma representação simboliza também o Macrocosmo, o Homem Universal, um símbolo de ordem e perfeição, a Verdade Divina.
Agrippa (Henry Cornelius Von de Agrippa Nettesheim), mostra proporcionalmente a mesma figura, colocando à sua volta os cinco planetas e a Lua no ponto central (genitália) da figura humana. Outras ilustrações do mesmo período foram feitas por Leonardo da Vinci, mostrando as relações geométricas do Homem com o Universo.

Posteriormente, o pentagrama também foi associado aos quatro elementos essenciais: Terra, Água, Ar e Fogo mais o quinto, que simboliza o Espírito (A Quinta Essência dos alquimistas e agnósticos)

Na Maçonaria, o Laço Infinito (como também era conhecido o pentagrama, por ser traçado com uma mesma linha) era o emblema da virtude e do dever. O homem microcósmico era associado ao Pentalpha (a estrela de cinco pontas), sendo o símbolo entrelaçado ao trono do mestre da Loja.


Ainda hoje o pentagrama é um símbolo que indica ocultismo, protecção e perfeição. Independentemente daquilo a que tenha sido associado no passado, ele configura um dos principais e mais utilizados símbolos mágicos da cultura Universal.















Postais...


Com as férias de Verão a acabar

deixo postais de praias de que

gosto e uma cerveja bem gelada

para saborear...


21/08/2008

Uma imagem ilusória de nós próprios...


Não desenhamos uma imagem

ilusória de nós próprios, mas

inúmeras imagens, das quais

muitas são apenas esboços, e que

o espírito repele com embaraço,

mesmo quando porventura haja

colaborado, ele próprio, na sua

formação. Qualquer livro,

qualquer conversa podem

fazê-las surgir; renovadas por

cada paixão nova, mudam com

os nossos mais recentes prazeres

e os nossos últimos desgostos.

São, contudo, bastante fortes

para deixarem, em nós,

lembranças secretas que crescem

até formarem um dos elementos

mais importantes da nossa vida:

a consciência que temos de nós

mesmos tão velada, tão oposta a

toda a razão, que o próprio

esforço do espírito para a captar

a faz anular-se.


Nada de definido, nem que nos

permita definir-nos; uma espécie

de potência latente... como se

houvesse apenas faltado a

ocasião para cumprirmos no

mundo real os gestos dos nossos

sonhos, conservamos a

impressão confusa, não de os ter

realizado, mas de termos sido

capazes de os realizar. Sentimos

esta potência em nós como o

atleta conhece a sua força sem

pensar nela. Actores miseráveis

que já não querem deixar os seus

papéis gloriosos, somos, para nós

mesmos, seres nos quais dorme,

amalgamado, o cortejo ingénuo

das possibilidades das nossas

acções e dos nossos sonhos.



André Malraux, in 'A Tentação do Ocidente'


15/08/2008

A flor




Pede-se a uma criança: Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis.

A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.

Passado algum tempo o papel está cheio de linhas.


Umas numa direcção , outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves;

umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta

força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.

Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era de mais.

Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: uma flor!

As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!

Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o

coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz

uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas.

Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas

com que Deus faz uma flor!





Almada Negreiros


26/07/2008

"A guerra começa no espírito dos homens e é no espírito dos homens que terão de ser erguidos os baluartes da Paz"



Desenhadas há milenios pelos monges tibetanos, as Mandalas são instrumentos de meditação e relaxamento, que trazem consigo uma finalidade essencialmente prática: conduzem ao crescimento espiritual e ao autoconhecimento.


As Mandalas são imagens circulares usadas pelos povos orientais para expressar, por meio de desenhos, a união ente o homem e o universo.

A palavra Mandala vem do sânscrito e significa círculo.


Entre os povos que deram início a este tipo de meditação, atribui-se à Mandala a característica de representar graficamente o ritmo, o movimento e a harmonia que regem todo o universo.

Para os Hindus, a Mandala representa a mente humana equilibrada.


Os Tibetanos usam as Mandalas para superar os limites da mente, penetrando em dimensões mais profundas do ser e buscando encontrar o seu próprio centro.

Desta maneira uma Mandala pode funcionar como uma porta entre o infinitamente pequeno e o imenso.

Os Nepaleses dizem que nós somos uma Mandala: basta olhar atentamente a íris dos nossos olhos para constatar a existência da mais perfeita Mandala natural.





12/07/2008

Brandy Alexander

O Alexander é um short drink, um coquetel clássico, extravagante, feminíssimo, próprio para encontros, saboroso e doce, mas sedutor e envolvente...


Sirvam-se,


Ingredientes:

2 cálices de conhaque ou armagnac

4 cubos de gelo

2 cálices de licor de cacau

Noz moscada ralada para polvilhar

2 cálices de creme de leite

Preparação:

* Coloque todos os ingredientes no copo de fazer cocktails

* Bata bem até que a mistura esteja bem gelada.

* Polvilhe levemente com a noz moscada e sirva imediatamente. Canela pode ser uma opção

* Rende 2 copos de cocktail



03/07/2008

Pintura e Poesia Galegas - Anxo Pastor e Miguel Martí Pol





No demano gran cosa:
poder parlar sense estrafer la veu,
caminar sense crosses,
fer l’amor sense haver de demanar permisos,
escriure en un paper sense pautes.
O bé, si sembla massa:
escriure sense haver d’estrafer la veu,
caminar sense pautes,
parlar sense haver de demanar permisos,
fer l’amor sense crosses.
O bé, si sembla massa:
fer l’amor sense haver d’estrafer la veu,
escriure sense crosses,
caminar sense haver de demanar permisos,
poder parlar sense pautes.
O bé, si sembla massa...

(de Vint-i-set poemes en tres temps, 1972)

MIQUEL MARTÍ I POL

OU

Não peço grande coisa:
poder falar sem disfarçar a voz,
caminhar sem muletas,
fazer amor sem ter de pedir licença,
escrever num papel sem pautas.
Ou então, se parecer demais:
escrever sem ter de disfarçar a voz,
caminhar sem pautas,
falar sem ter de pedir licença,
fazer amor sem muletas.
Ou então, se parecer demais:
fazer amor sem ter de disfarçar a voz,
escrever sem muletas,
caminhar sem ter de pedir licença,
poder falar sem pautas.
Ou então, se parecer demais...

01/07/2008

Corre Lola corre...




"Não terminaremos a nossa caminhada.


No final chegaremos ao ponto de partida.


E conheceremos esse lugar pela primeira vez."

(T.S. Eliot)



26/06/2008

Sem Fim



No mistério do sem-fim

equilibra-se um planeta.



E, no planeta, um jardim,

e, no jardim, um canteiro;

no canteiro uma violeta,

e, sobre ela, o dia inteiro,



entre o planeta e o sem-fim

a asa de uma borboleta


Cecilia Meireles

20/06/2008

Elementos de vitória



Estão cheias as livrarias de todo o mundo de livros que ensinam a vencer. Muitos deles contêm indicações interessantes, por vezes aproveitáveis. Quase todos se reportam particularmente ao êxito material, o que é explicável, pois é esse o que supremamente interessa a grande maioria dos homens.

A ciência de vencer é, contudo, facílima de expor; em aplicá-la, ou não, é que está o segredo do êxito ou a explicação da falta dele. Para vencer - material ou imaterialmente - três coisas definíveis são precisas: saber trabalhar, aproveitar oportunidades, e criar relações. O resto pertence ao elemento indefinível, mas real, a que, à falta de melhor nome, se chama sorte.

Não é o trabalho, mas o saber trabalhar, que é o segredo do êxito no trabalho. Saber trabalhar quer dizer: não fazer um esforço inútil, persistir no esforço até o fim, e saber reconstruir uma orientação quando se verificou que ela era, ou se tornou, errada.

Aproveitar oportunidades quer dizer não só não as perder, mas também achá-las. Criar relações tem dois sentidos - um para a vida material, outro para a vida mental. Na vida material a expressão tem o seu sentido directo. Na vida mental significa criar cultura. A história não regista um grande triunfador material isolado, nem um grande triunfador mental inculto. Da simples "vontade" vivem só os pequenos comerciantes; da simples "inspiração" vivem só os pequenos poetas. A lei é uma para todos.

Fernando Pessoa, in 'Teoria e Prática do Comércio'

14/06/2008

L' Amitié




Ça fleurit comme une herbe sauvage
N'importe où, en prison, à l'école,

Tu la prends comme on prend la rougeole
Tu la prends comme on prend un virage

C'est plus fort que les liens de famille
Et c'est moins compliqué que l'amour
Et c'est là quand t'es rond comme une bille
Et c'est là quand tu cries au secours
C'est le seul carburant qu'on connaisse
Qui augmente à mesure qu'on l'emploie
Le vieillard y retrouve sa jeunesse
Et les jeunes en ont fait une loi.

C'est la banque de toutes les tendresses
C'est une arme pour tous les combats
Ça réchauffe et ça donne du courage
Et ça n'a qu'un slogan "on partage"

Au clair de l'amitié
Le ciel est plus beau
Viens boire à l'amitié
Mon ami Pierrot

L'amitié c'est un autre langage
Un regard et tu as tout compris
Et c'est comme S.O.S. dépannage
Tu peux téléphoner jour et nuit
L'amitié c'est le faux témoignage
Qui te sauve dans un tribunal
C'est le gars qui te tourne les pages
Quand t'es seul dans un lit d'hôpital
C'est la banque de toutes les tendresses
C'est une arme pour tous les combats
Ça réchauffe et ça donne du courage
Et ça n'a qu'un slogan : "on partage"

Au clair de l'amitié
Le ciel est plus beau
Viens boire à l'amitié
Mon ami Pierrot

(Herbert Pagani)

13/06/2008

Em dia de efemérides lembro o divertido Vasco Santana que nos deixou há 50 anos e o F. Pessoa que nasceu há 120.
Juntá-los nesta homenagem é talvez tão difícil de perceber como a semelhança, em termos de beleza, entre a Vénus de Milo e o binómio de Newton...



Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Fernando Pessoa

12/06/2008

PARABÉNS LUIS




ELES

Ele tem estrelas nos olhos,

ela um cometa no peito;
ele tem números na testa,
ela um traço mais perfeito.


Ela inventa no papel
mundos sonhados a cor;
ele enfia-os num cordel
dentro de um computador.


Ele é o riso, ela o sorrir,
ele é sonho, ela o invento;
ela é o bulício a dormir,
ele a calma em movimento.


Ela faz tranças e laços
das palavras que aprendeu;
ele disfarça e abre os braços
como quem as esqueceu.


Eles habitam os meus dias,
luzes que partem, que ficam,
canções breves, fugidias,
poemas que não se explicam,


nó que não mais se desata,
planta da minha raíz.
Ela chama-se Renata.
O nome dele é Luis.


In "Palavras para ti que fui escrevendo"
(M.D. = Alien8:)

09/06/2008

Um café com amor...





Está na hora do café... Sai um, bem aromático.



Boa semana.

01/06/2008

A arte está em todo o lado




Nós não nos damos conta de como a arte nos trespassa de todo o lado. Anotar isso aos que vaticinam a morte da arte. Isto ao nível mais corriqueiro. Dispor os móveis numa sala é fazer arte. Ou olhar uma paisagem, pôr uma flor na lapela, ou num vaso. Escolher uma gravata, uns sapatos. Provar um fato. Pentear-se. Fazer a barba ou apará-la quando comprida. Todas as coisas de cerimónia têm que ver com a arte. E o corte das unhas.
Todo o jogo. Toda a verdade que releva da emoção. Às vezes mesmo a escolha do papel higiénico. Mas mesmo a desordem. Bergson, creio, dizia que se tudo fosse desordenado, nós acabaríamos por ler aí uma ordem. E não é o que fazemos ao inventarmos as constelações? Admitir a morte da arte é admitir a morte do homem, que impõe essa arte a tudo o que vê. Mas tenho de ir à casa de banho. A ver se invento arte mesmo aí. (Mas quando disse «casa de banho» e não «retrete», já a inventei.)

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 3'

31/05/2008

Com o Verão à porta....


*O que são os radicais livres e antioxidantes?

Os radicais livres são moléculas instáveis, pelo facto de os seus átomos possuírem um número ímpar de electrões. Para atingir a estabilidade, estas moléculas reagem com o que encontram pela frente para roubar um electrão.

Uma parte do oxigénio que respiramos transforma-se em radicais livres, que estão ligados a processos degenerativos, como o envelhecimento. Os radicais livres também têm um papel importante no combate a inflamações, matando bactérias, e controlando o tónus dos músculos lisos.

Os antioxidantes protegem o organismo da acção danosa dos radicais livres. Alguns antioxidantes são produzidos pelo nosso próprio corpo e outros - como as vitaminas C, E e o beta-caroteno - são ingeridos.

Alimentos com poder antioxidante: Todas as frutas e vegetais

*O exercício físico produz radicais livres?

O Dr. Kenneth Cooper, no seu livro "Revolução Antioxidante", descreve duas maneiras pelas quais os radicais livres são produzidos durante os exercícios físicos.

A primeira está ligada aos exercícios exaustivos nos quais há um aumento de 10 a 20 vezes no consumo de oxigénio do corpo. O enorme bombeamento de oxigénio através dos tecidos desencadearia a libertação de radicais livres. Para se evitar isto, Cooper recomenda praticar os exercícios entre 65-80% da frequência cardíaca máxima.

A outra forma de produção de radicais livres durante os exercícios está ligada ao processo que é conhecido como isquemia-reperfusão. Quando os exercícios físicos intensos são praticados, o fluxo sanguíneo é desviado dos órgãos não directamente envolvidos para os músculos em actividade. Assim, uma parte do corpo irá passar por uma deficiência de oxigénio. No fim do exercício há reperfusão, quando o sangue retorna aos órgãos que estiveram dele privados. Este processo foi associado à libertação de grandes quantidades de radicais livres. Percebe-se assim a importância dos exercícios de relaxamento.

Portanto, deve-se praticar exercício físico regular e sem excessos.

22/05/2008

Bom Fim De Semana


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer !
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não !

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

F. Pessoa



18/05/2008

Sittin' on the dock of the bay

Receita de mulher

Receita de mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Se tenha a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então
Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca húmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura se movimentem.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável.
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!).
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
De primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

Vinícius de Moraes

15/05/2008

Tanta chuva...




As primeiras chuvas estavam tão perto

de ser música

que esquecemos que o verão acabara:

uma súbita alegria,

súbita e bárbara, subia e coroava

a terra de água,

e deus, que tanto demorara,

ardia no coração da palavra.



Eugénio de Andrade, in

"Rente ao dizer"

11/05/2008

Espirito Zen




“Antes de estudar o Zen, as montanhas são montanhas e as águas são águas; após uma primeira noção sobre a verdade do Zen, as montanhas já não apenas montanhas e as águas já não são apenas águas; mas, quando se atinge o conhecimento, as montanhas voltam a ser montanhas e as águas voltam a ser águas.” (Seigen)

08/05/2008

A ver o mar...


07/05/2008

Fala!


Fala a sério e fala no gozo

Fá-la pela calada e fala claro

Fala deveras saboroso

Fala barato e fala caro

Fala ao ouvido fala ao coração

Falinhas mansas ou palavrão

Fala à miúda mas fá-la bem

Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe

Fala francês fala béu-béu

Fala fininho e fala grosso

Desentulha a garganta levanta o pescoço

Fala como se falar fosse andar

Fala com elegância - muito e devagar.



A. O'Neill

05/05/2008

Magritte...

"Eu hei-de esculpir o futuro ao jeito do criador que extrai a obra do mármore a golpes de cinzel. E caem uma a uma as escamas que escondiam o rosto do deus. E os outros dirão: Este mármore continha este deus. Ele o que fez foi encontrá-lo. E o gesto dele não passava de um meio. Mas eu cá digo que ele não calculava, ele forjava a pedra. O sorriso do rosto está muito longe de ser feito de suor, de faíscas, de golpes de cinzel e de mármore. O sorriso não é da pedra, mas sim do criador. Liberta o homem, e ele criará."

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

04/05/2008

Flores para todas as Mães


02/05/2008

Uma pausa para um café e um bolinho...









E Bom Fim De Semana.






01/05/2008

Hoje há festa! Viva o 1º de Maio!

29/04/2008

Campanha da Amizade e Blogueiros que sabem comentar






Recebi da Vanda o selo desta Campanha e também recebi um prémio do Sorrisos (
http://blogueirosquesabemcomentar.blogspot.com/)




Obrigada.

E segue para:

26/04/2008

Imagens que fui tirando de blogs que visito...